Reféns da personalidade – Boletim nº 86 – Maio 2012
Olhando atualmente as relações tanto do homem quanto da mulher sob o prisma do Eneagrama, percebe-se, claramente, o quanto eles estão reféns de suas personalidades.
Isso acontece porque a sociedade atual convida, condiciona, exige e cobra do homem e da mulher um desempenho profissional, social, e consequentemente familiar, de viver focado inteiramente para o externo, na busca de atingir os objetivos propostos que sempre são de ser o melhor, produzir mais, consumir mais, ter o mais belo corpo, etc.
Entramos num círculo vicioso, não percebemos o quanto estamos cada vez mais distante de nós mesmos. Como consequência, acabamos tendo relações afetivas muito superficiais, pois são a partir do ego, que estamos sempre a nos exigir mais satisfação pessoal e o outro fica em segundo plano. Então vemos casamentos frágeis que se desfazem a qualquer momento; filhos com pouco e/ou quase nenhum convívio familiar. E para suprir suas carências afetivas são cobertos de presentes e poucos limites ou, às vezes, nenhum, com medo de se perder o amor deles.
Dentro dessas relações vemos como os tipos de personalidade desempenham os seus papéis. Uns comandam, apossam-se e são agressivos nos seus comportamentos. Outros se fecham em seus medos, cede o seu espaço e acabam se submetendo para evitar conflitos. Há os que adulam, tentam comprar amor, têm o melhor desempenho para agradar o outro, seja nas relações pessoais ou profissionais, adequando-se para serem aceitos.
É importante ressaltar que todos esses comportamentos são inconscientes e, não porque a pessoa é má, medrosa, acomodada e tantos outros rótulos que são dados. Ela é, na realidade, resultado da prisão na personalidade, mostrando as formas como aprendeu a lidar com a vida para se defender lá na infância e assim sobreviver.
Só que todos esses comportamentos com o tempo, já não satisfazem e tornam a pessoa prisioneira de reações que já não gostaria de ter, mas não sabe como livrar-se delas. Algumas ficam deprimidas, outras abandonam tudo porque já não conseguem responder as demandas que lhe são feitas. Na realidade, ficam sem chão e sem respostas porque estão distantes do seu Eu Verdadeiro, aquele ao qual foi chamada a ser.
Oxalá, as pessoas descubram há tempo que existem outros caminhos que ajudam a viver com mais consciência, deixando de lado os comportamentos automáticos, para que caminhem como senhores de sua vida e não reféns de condicionamentos.
O Eneagrama é um dos instrumentos de autoconhecimento que ajuda neste processo, porque mostra onde a pessoa está na personalidade, mas, propõe um caminho a ser percorrido para desenvolver as suas qualidades da Essência.
Se você está em busca de um caminho, vale a pena conhecê-lo.
Maria Helena Oliveira Cardoso
Pedagoga e instrutora do Eneagrama
Obs.:O VI Congresso Brasileiro de Eneagrama, promovido pela Associação Brasileira de Eneagrama – IEA Brasil, será realizado em Curitiba, no período de 24 a 27 de maio. Inscrições e informações no site: www.ieabrasil.com.