Viver o Evangelho – um desafio – Boletim nº 104
Viver o Evangelho de Jesus Cristo é um desafio ainda maior nos dias de hoje, porque nos requisita a procurar os irmãos num mundo extremamente individualista.
A prática da caridade realizada através da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) distingue-se da filantropia, por ser organizada, contínua, vocacionada no atendimento aos pobres, aos marginalizados, àqueles socialmente excluídos.
A ação vicentina segue o propósito do seu principal fundador, o jovem italiano Antonio Frederico Ozanam (1813-1853), que prima pela visita ao domicílio dos necessitados. Assim, organizada em pequenos grupos de pessoas chamados Conferências, a ajuda chega ao local de moradia das pessoas carentes material e espiritualmente, conhecendo-se assim a verdadeira realidade. Desde as origens, no início do século XIX, grupos de jovens liderados por Ozanam reuniam-se, em Paris, para converter a sua oração em ação indo aos pobres sem esperar que viessem a eles.
Esse contato leva o nome clássico de visita, como expressão de um encontro sempre pessoal entre os membros da Sociedade e aqueles a quem querem servir. É um serviço que o próprio Cristo mostrou: irmos ao encontro dos pobres para conhecer suas condições de vida. É um trabalho voluntário, simples, sem alarde, mas profundo e verdadeiro, porque desacomoda quem se dispõe a ajudar, envolvendo-o na realidade aflita e carente dos que sofrem.
O desafio está em ser vicentino em plena explosão da globalização contemporânea, num mundo descomprometido com a miséria, mas dela produtor. Esse trabalho voluntário não pretende suprir o papel do Estado em suas políticas sociais e nem se faz assistencialista. O objetivo que o impulsiona é a autopromoção social de famílias necessitadas para que não esmoreçam diante das dificuldades, enfrentando-as.
O trabalho vicentino é uma ação de paciência e persistência. Seguimos a recomendação de São Tiago: de que adianta a fé sem obras? É preciso não desanimar diante das condições de hoje, quando os pobres se contam às estatísticas de indicadores sociais que não socializam a desgraça, mas a contemplam, agigantada. Em meio à carência extrema de todos os meios para sobreviver – alimentos, remédios, emprego, moradia, tratamentos de saúde, estudos, documentos, aposentadoria – cresce a lista dos efeitos colaterais: doenças, desânimo, depressão, descrença, subnutrição, maus hábitos, drogas, falta de coragem e de iniciativa, desconfiança, família desintegrada, desesperança, crianças e jovens sem esperança, pais e mães desempregados, idosos abandonados.
Para aqueles que se dispõem a esse trabalho aparentemente pequeno diante da grandiosidade da pobreza, vale nos sentirmos responsáveis pelas consequências desta situação que clama por justiça: crianças, adultos e idosos entregues à própria sorte, com seu futuro comprometido.
Fica o convite à sua consciência cristã: procure participar das conferências vicentinas que existem em dezenas de países e, certamente, em sua cidade. Em Curitiba, por exemplo, a SSVP foi fundada há 115 anos. Abrace este voluntariado que não é resultado de moda, e doe um pouco do seu tempo para o bem dos pobres, onde quer que se encontrem, partilhando seu desconforto, suas carências, sua dor e defendendo sempre os seus direitos.
“Não se acende uma lâmpada
para colocá-la debaixo de uma vasilha,
mas sim, num candelabro
para que, na casa, a todos ilumine”.
“Assim deve fulgir a vossa luz
perante os olhos dos homens,
a fim de que, vendo as vossas boas obras,
eles glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”.
(Mt 5, 15-16)
Lineu de Araújo e Silvia Maria de Araújo
belíssima ilustração, sem o saber faço parte de um trabalho assim, em são gonçalo – rj, obrigado pelas confortadoras palavras, sejam abençoados pelo Senhor Jesus Cristo, o maior
Caro Jerônimo
Que bom saber que você também já é um voluntário e ajuda e melhorar seu entorno. Que Deus o conserve e proteja para que possa continuar sua missão por muitos e muitos anos. Aproveite para divulgar o artigo para seus amigos.
Conheço demais o trabalho deste casal e de outras pessoas que pertencem a uma Conferência Vicentina. Vale realmente muito a pena dispor de algumas horas do nosso tempo para nos doarmos em ajudar os menos favorecidos.
Parabéns Silvia e Lineu
Caro Luiz
Você também faz parte dessa comunidade vicentina há vários anos e pode testemunhar a importância e benefícios que o trabalho traz a pessoas menos favorecidas.