Ruptura – O 2º estado da aposentadoria ativa – Boletim nº 65

O desafio do aposentado não consiste em prolongar sua vida útil, mas, sim, qualificá-la e lapidá-la como um diamante. E isso só se consegue com alegria, autoimagem positiva, vontade de viver e partilhar o prazer de estar vivo. E viver ocupado é viver de verdade.

Assim como as águias, precisamos nos resguardar por algum tempo, nos desprender de lembranças que nos causaram alguma dor, livrar-nos do peso do passado para, então, iniciar um processo de renovação e transformação.

Para o ser humano, o ato de quebrar o seu próprio bico pode ser comparado ao instinto de sobrevivência, da procura pelo alimento do corpo, da saúde, dos valores da alma. Já arrancar as unhas ganha o sentido de desaprender o velho e aprender o novo. É agarrar-se menos à parte material para ligar-se mais à dimensão do espírito e aos valores da alma. Enquanto arrancar as próprias penas simboliza a renovação, de modo a desvestir-se do velho, em termos de vícios e manias, o que remete à sensação de leveza, descontaminação de conceitos e hábitos passados, para alçar novos voos.

Segundo o teólogo Leonardo Boff “Por dimensão-águia entendemos a realidade e o ser humano em sua abertura, em sua capacidade de transcender limites, em seu projeto infinito. Por dimensão-galinha, seu enraizamento, seu arranjo existencial, os projetos concretos”.

A dimensão-galinha, segundo Boff, é o sistema social imperante, o nosso arranjo existencial, a nossa vida cotidiana, os hábitos estabelecidos e o horizonte de nossas preocupações. Representa também as limitações, os enquadramentos e formações histórico-sociais que, quando absolutizados, transformam-se em impasses, em descaminhos, em falta de perspectivas e em desesperança para as pessoas e para as coletividades. A dimensão águia são os sonhos, os projetos, os anelos, os ideais e as utopias que, mesmo frustrados, nunca morrem em nós porque sempre ressuscitam. Simbolizam a águia que existe em nós, ave que nos ergue continuamente para o alto, para descobrir novos caminhos e direções diferentes. Para recordar-nos o chamado de novo possível.

Para fazer a transição para um mundo mais humano, há que haver uma ruptura com o mundo e o sistema que aí está e que fez parte intrínseca dos seus interesses durante a vida profissional. É preciso romper com o antigo para dar espaço ao novo. Despir-se de paradigmas, preconceitos, dogmas, valores, hábitos.

Qual foi ou está sendo o papel do trabalho durante o 1º tempo de sua vida? Com certeza foi ou está sendo o principal organizador de sua agenda, com muitas atividades, compromissos, cobranças, num ritmo frenético que, muitas vezes, acarreta um descompasso entre a vida profissional e pessoal. Quais são ou foram as máscaras que você teve que incorporar para sobreviver no mundo corporativo?

Agora é a hora de acordar, tirar as máscaras, confrontar-se consigo mesmo e descobrir um novo mundo. Mas é preciso estar aberto a novas experiências e visões do mundo e estar desperto para desfrutar das preciosidades que a vida oferece.

 “Ninguém pode persuadir outra pessoa a se modificar. Cada um de nós toma conta da porta da mudança, que só pode ser aberta pelo lado de dentro. Não podemos abrir a porta de outra pessoa, seja por meio de argumentos ou de pressão emocional” (Marilyn Ferguson)

Portanto, sugiro que na aposentadoria você recomece. Esvazie seus vasos mental e físico das pequenas coisas e preencha-os com seus sonhos, seus projetos e vontade de fazer algo mais significativo para você mesmo e para as pessoas a sua volta. 

Que Deus o (a) proteja junto a seus familiares

Um fraternal abraço e até o próximo artigo,

 Armelino Girardi

Consultor em desenvolvimento de pessoas e autor do livro Desaposentado melhor agora, além de criador e mantenedor do Clube dos Desaposentados – www.desaposentado.com.br

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